17 de setembro de 2026
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Alerj debate prevenção ao suicídio após alta de 27% em atendimentos de saúde mental no RJ 

UPAs estaduais registraram 169 mil atendimentos em três anos; PL 7.517/26 propõe diretrizes para atendimento e acolhimento no Estado 

No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, 10 de setembro, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) pauta políticas de saúde mental e valorização da vida. O debate ocorre no Setembro Amarelo, com leis já em vigor e um novo projeto em tramitação, em resposta ao aumento de atendimentos na rede pública fluminense. 

Levantamento da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), divulgado em 2026, aponta 169.838 atendimentos relacionados à saúde mental nas 27 UPAs estaduais entre 2023 e 2025. O volume subiu de 50.624 em 2023 para 64.400 em 2025, alta de 27% em dois anos. No mesmo período, foram 3.428 atendimentos por lesões autoprovocadas e intoxicações intencionais. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) registrou 27.446 ocorrências por transtornos mentais ou comportamentais em 2025, ante 21.856 em 2023. 

Dados nacionais e legislação no Rio 

O cenário se repete no país. Segundo o Atlas da Violência 2026, a taxa de internações por lesões autoprovocadas entre 10 e 19 anos no Brasil passou de 3,7 para 6,4 por 100 mil habitantes entre 2014 e 2024, crescimento de 73%. O estudo indica variação entre os estados e alerta para diferenças na capacidade de registro e de acesso à rede. 

No Rio de Janeiro, o Setembro Amarelo está no calendário oficial pela Lei 8.660/19, que criou o Plano Estadual de Valorização da Vida e instituiu o último domingo de setembro como data da Caminhada Anual pela Valorização da Vida. A Lei 8.591/19 estabeleceu o Programa de Prevenção de Violências Autoprovocadas ou Autoinfligidas para policiais civis e militares, bombeiros militares, inspetores prisionais e agentes do Degase, com ações de prevenção, assistência e capacitação. 

Tramita na Alerj o Projeto de Lei 7.517/26, que define diretrizes para prevenção, atendimento e enfrentamento ao suicídio e à automutilação. O texto prevê ações preventivas, assistenciais, educativas e de acolhimento, fortalecimento da rede de saúde mental, atendimento humanizado e suporte a familiares, com acompanhamento continuado. 

Como abordar e onde buscar ajuda 

O psicólogo Nelson Antonio Linhares, 60 anos, orienta que a abordagem inicial seja a escuta sem julgamento. Segundo ele, validar a dor reduz a sensação de isolamento e cria um espaço seguro para a pessoa relatar o que sente, o que pode diminuir a intensidade da crise. 

Devem ser evitadas frases como “isso é bobagem”, “pense positivo”, “tem gente em situação pior” ou “você só quer chamar atenção”. A recomendação é oferecer disponibilidade com frases diretas, como “estou aqui com você” e “como posso te apoiar agora?”, sem impor soluções imediatas. 

Em um caso acompanhado por ele, uma mulher de 40 anos, casada e mãe de três filhos, com identidade preservada, em relação abusiva e dificuldades financeiras, apresentou depressão com ansiedade, automutilação e pensamentos suicidas. O tratamento combinou acompanhamento psicológico e psiquiátrico, apoio de comunidade de fé, atividade física e contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV) em momentos de crise. O quadro evoluiu para estabilidade. 

Para quem tem dificuldade de falar sobre o sofrimento, a orientação é buscar contato mesmo de forma breve, com mensagem como “não estou bem e preciso de ajuda” para alguém de confiança. 

A rede do SUS oferece atendimento na Rede de Atenção Psicossocial (Raps), com Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e serviços de urgência. O CVV atende gratuitamente e de forma sigilosa pelo telefone 188, 24 horas. Em emergência, o Samu deve ser acionado pelo 192. 

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