Em pronunciamento, presidente afirma que escândalo do Banco Master é o maior crime financeiro do país e pede que STF e PGR garantam transparência nas apurações
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira, 4 de setembro, a quebra completa do sigilo das investigações do caso Banco Master. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Lula afirmou que o episódio deve ser apurado sem proteção a envolvidos e cobrou do presidente do STF, Edson Fachin, e da Procuradoria-Geral da República medidas para assegurar a integridade das investigações.
O pronunciamento ocorre dois dias após o ministro do STF André Mendonça divulgar relatório da Polícia Federal que cita supostas mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. O caso apura suspeita de desvio de recursos de estados e municípios e é tratado pelo governo como o maior crime financeiro da história do país.
Presidente critica vazamentos seletivos e cobra STF e PGR
No vídeo, Lula classificou o caso como um roubo a milhões de pessoas e afirmou que há suspeita de envolvimento de políticos e agentes públicos. Segundo ele, a condução da investigação não pode ficar condicionada a vazamentos seletivos.
“Diante da gravidade, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que atingiu o Poder Judiciário”, disse. Lula defendeu ainda que a apuração siga o modelo de transparência adotado na Operação Spoofing, conduzida quando o ministro Ricardo Lewandowski esteve à frente do Ministério da Justiça.
O presidente afirmou que o país precisa de reformas nos sistemas político e judiciário e que a democracia depende de instituições com credibilidade.
Crise no Judiciário e investigação sobre o Banco Master
A fala de Lula foi gravada para posicionar o Planalto de forma institucional diante da crise aberta no Supremo. Na terça-feira, Mendonça tornou público relatório da PF produzido a seu pedido que implica Moraes e outras autoridades em supostas tratativas com Vorcaro e interlocutores.
Em resposta, nesta quinta-feira, Moraes encaminhou a Fachin pedido de investigação sobre a conduta de Mendonça na divulgação do documento. A CPMI do INSS, que também apura desdobramentos ligados ao Banco Master, aprovou requerimentos de quebra de sigilo bancário e fiscal da instituição e de investigados.
No pronunciamento, Lula reiterou que a investigação deve atingir todos os envolvidos. “É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, afirmou.