De maior potência industrial do Sul Fluminense e dona do inesquecível jingle da fadinha ao colapso milionário que abalou a economia regional na década de 1990
A Belprato S.A. foi uma das maiores indústrias alimentícias do estado do Rio de Janeiro durante as décadas de 1970 e 1980. Sua sede localizava-se em Barra do Piraí (RJ), onde por muitos anos foi o maior empregador privado do município e uma das empresas mais importantes da economia regional.
A empresa teve origem em 1918, quando o imigrante italiano Carmine Martuscello, juntamente com Agnelo Martuscello e Gilberto Ciótola, fundou a Carmine Martuscello & Cia. Inicialmente, produzia açúcar refinado, fumo em corda e embutidos artesanais. Poucos anos depois iniciou a fabricação de massas alimentícias, atividade que se tornaria sua principal vocação.
Em 1957 nasceu oficialmente a marca Belprato, acompanhada da marca Nutrimais. Nas décadas seguintes a empresa expandiu fortemente sua linha de produtos, passando a fabricar:
- massas alimentícias;
- presuntos;
- salsichas;
- linguiças;
- mortadelas;
- bacon;
- alimentos desidratados;
- produtos para merenda escolar.
Também foram criadas as marcas Nhock! e Dalva, destinadas a diferentes segmentos do mercado.
O auge
Entre o final da década de 1970 e os anos 1980, a Belprato tornou-se referência nacional.
Alguns números ilustram sua dimensão:
- mais de 1.600 funcionários;
- cerca de 28 mil toneladas de alimentos produzidas por ano;
- distribuição para aproximadamente 25 mil pontos de venda em diversos estados brasileiros;
- liderança no mercado fluminense de massas e embutidos.
O mercado consumidor concentrava-se principalmente no Rio de Janeiro, responsável por cerca de 70% das vendas, seguido por Minas Gerais, Espírito Santo, Distrito Federal e Bahia.
A empresa investiu fortemente em publicidade. O jingle “Bel-Bel-Bel-Belprato” e a mascote da fadinha tornaram-se bastante conhecidos no estado do Rio de Janeiro durante os anos 1970 e 1980.
Importância para Barra do Piraí
Diversos estudos sobre a história econômica do Sul Fluminense apontam a Belprato como uma das empresas responsáveis pela industrialização de Barra do Piraí.
Inicialmente instalada no centro da cidade, posteriormente transferiu sua planta industrial para o bairro Vila Helena, onde possuía inclusive desvio ferroviário próprio para transporte de cargas, demonstrando sua integração com a malha ferroviária regional.
Pesquisadores destacam que a Belprato possuía enorme importância social:
- gerava milhares de empregos diretos;
- movimentava centenas de fornecedores;
- fortalecia o comércio local;
- tornou-se símbolo da identidade industrial do município.
A crise
A partir do início da década de 1990, a empresa entrou em grave crise financeira.
Segundo documentos históricos e avaliações judiciais, um dos fatores determinantes foi o não recebimento de aproximadamente US$ 2,5 milhões referentes ao fornecimento de merenda escolar ao Governo Federal. Na época, esse contrato representava aproximadamente metade da atividade industrial da fábrica.
Também contribuíram:
- conflitos societários entre membros da família controladora;
- elevado endividamento;
- mudanças econômicas ocorridas no Brasil no início da década de 1990.
A falência
A falência foi decretada em 1996, encerrando uma trajetória de quase oito décadas.
O fechamento provocou enorme impacto em Barra do Piraí:
- cerca de 2 mil trabalhadores perderam seus empregos;
- a cidade sofreu forte retração econômica;
- a Belprato passou a ser frequentemente lembrada como símbolo do período de maior desenvolvimento industrial do município.
Legado
Mesmo décadas após sua falência, a Belprato continua sendo citada em pesquisas sobre desenvolvimento regional, história industrial e memória empresarial do estado do Rio de Janeiro. Seu nome aparece em trabalhos acadêmicos sobre a industrialização do Sul Fluminense, em estudos sobre Barra do Piraí e em documentos relacionados ao patrimônio empresarial e às marcas históricas da companhia.