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EDITORIAL  

A derrota revela quem é quem na política 

As derrotas eleitorais costumam produzir um efeito curioso: retiram as máscaras e revelam comportamentos que, durante o exercício do poder, permaneciam ocultos. Não é raro ver políticos que passaram anos ocupando cargos públicos cobrarem da gestão atual exatamente aquilo que tiveram a oportunidade de realizar, mas deixaram de fazer. 

A crítica à administração de plantão é legítima e faz parte do processo democrático. O problema surge quando ela vem desacompanhada da coerência. Quem teve a responsabilidade de governar e não apresentou soluções perde força moral ao exigir, de forma imediata, aquilo que ignorou quando possuía os instrumentos para agir. 

A política deve ser guiada pelo compromisso permanente com o interesse coletivo, independentemente de quem esteja no poder. O verdadeiro homem público trabalha para a população, fiscaliza com responsabilidade, apresenta propostas e reconhece seus próprios acertos e erros. Já o politiqueiro enxerga a política apenas como instrumento de promoção pessoal, mudando de discurso conforme sua conveniência. 

A coerência continua sendo um dos maiores patrimônios de um representante público. A sociedade observa, compara e, cada vez mais, distingue quem atua por convicção de quem age apenas por interesse. Afinal, o político está a serviço da população; o politiqueiro, exclusivamente a serviço de si mesmo. 

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