
Investigações da Polícia Federal sobre os bancos Master, de Daniel Vorcaro, e Digimais, de Edir Macedo, expõem os reflexos da agenda neoliberal adotada nos governos Temer e Bolsonaro. As medidas conduzidas por Paulo Guedes e Roberto Campos Neto no período, segundo a apuração, favoreceram a expansão acelerada de instituições financeiras da Faria Lima — modelo que Flávio Bolsonaro defende retomar caso vença a eleição presidencial.
PF mira atuação de Master e Digimais sob regras do governo anterior
A Polícia Federal investiga operações do Banco Master e do Banco Digimais envolvendo captação agressiva de recursos e estruturas de crédito que cresceram durante a gestão de Paulo Guedes no Ministério da Economia e de Roberto Campos Neto no Banco Central. Os inquéritos apuram se mudanças regulatórias do período criaram brechas exploradas pelas instituições para ampliar participação no mercado com menor supervisão.
Agenda liberal afrouxou controles, aponta investigação
Entre 2019 e 2022, o governo Bolsonaro implementou medidas defendidas por Guedes como “desburocratização do sistema financeiro”. Entre elas, a flexibilização de regras para bancos médios, ampliação do teto de emissão de CDBs e menor exigência de capital para operações específicas. No mesmo período, o Banco Central sob Campos Neto avançou com a agenda BC#, que incluía autonomia da autoridade monetária e estímulo à competitividade via redução de barreiras regulatórias.
Bancos cresceram com captação e crédito de alto risco

Nesse cenário, o Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro, saltou de instituição de nicho para um dos maiores emissores de CDBs do país, com taxas acima da média de mercado. Já o Digimais, ligado a Edir Macedo, expandiu a carteira de crédito consignado e financiamento de veículos. A PF analisa se o crescimento foi sustentado por práticas que só se tornaram viáveis após as alterações normativas do período.
Flávio Bolsonaro sinaliza retomada do modelo
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, tem defendido publicamente o retorno da política econômica adotada na gestão de seu pai. Em discursos recentes, citou Paulo Guedes como referência e afirmou que pretende “devolver ao mercado a liberdade de gerar riqueza” com menos intervenção estatal. Aliados indicam que a agenda inclui nova rodada de flexibilização para o setor financeiro.
Temer iniciou desmonte regulatório
As investigações também citam que parte da estrutura usada pelos bancos começou a ser montada ainda no governo Michel Temer, com a reforma trabalhista e medidas de abertura do mercado de capitais. A gestão Bolsonaro aprofundou a linha com Guedes e Campos Neto, consolidando o ambiente que permitiu a escalada de operações hoje sob suspeita.
O que diz a Faria Lima
Representantes do mercado financeiro ouvidos nas apurações afirmam que as mudanças trouxeram inovação e acesso a crédito. Já os investigadores avaliam que a velocidade da desregulamentação não foi acompanhada por mecanismos de fiscalização proporcionais, abrindo espaço para distorções sistêmicas.
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Ronaldo José
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