
A memória seletiva da política
Na política, há quem pareça sofrer de uma curiosa doença: a memória seletiva. Ontem, quando estavam no poder ou caminhavam ao lado de quem mandava, aquilo que era errado muitas vezes era apresentado como certo, defendido e até justificado. Hoje, com a memória convenientemente deteriorada, alguns tentam reescrever a própria história, apontando como errado aquilo que antes ajudaram a sustentar.
O mais contraditório é que muitos desses mesmos personagens tiveram, em suas mãos, a oportunidade de fazer diferente. Tiveram poder, influência e espaço para corrigir aquilo que hoje criticam. Mas preferiram permanecer calados, apoiar ou simplesmente olhar para o próprio umbigo.
Criticar é fácil quando já não se tem a responsabilidade de decidir. Difícil é reconhecer os próprios erros e admitir que, em algum momento, também se fez parte daquilo que hoje se condena.
A sociedade não precisa de políticos e correligionários que mudam de discurso conforme mudam as circunstâncias. Precisa de coerência, responsabilidade e, acima de tudo, honestidade com a própria história.
Porque a política pode até mudar de lado, de grupo e de discurso. O que não deveria mudar é a verdade. E quem ontem teve o poder de acertar, mas preferiu não fazê-lo, não pode hoje agir como se nunca tivesse feito parte do problema.
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Ronaldo José
Como jornalista, minha paixão pela informação e comunicação moldou minha trajetória profissional. Dedico-me ardentemente a levar notícias de forma ágil e precisa, sem comprometer a imparcialidade.
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