11 de outubro de 2026
Rádio Stéreo Vale
A rádio que toca você
AO VIVO

Longevidade em alta: quem são os 36,6 milhões de idosos do Brasil e como o Rio enfrenta o envelhecimento populacional 

Projeções do Ministério da Saúde indicam ampliação de desafios no SUS e avanço da pauta na Alerj neste Dia Nacional da Pessoa Idosa. 

O Brasil atingiu a marca de 36,6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2026, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde neste Dia Nacional da Pessoa Idosa, celebrado em 1º de outubro. O contingente reflete uma mudança demográfica profunda no país, com projeções de alcançar 61,5 milhões nas próximas duas décadas. Atualmente, 81,4% desse público depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS), o que exige readequação dos serviços públicos para garantir assistência, mobilidade e proteção a uma população cada vez mais longeva e economicamente ativa. 

No Estado do Rio de Janeiro, o ritmo de envelhecimento supera a média nacional. Dados do Censo mostram que o estado registra 73,6 idosos (com 65 anos ou mais) para cada 100 crianças de até 14 anos — em 2010, essa proporção era de 42,2. Niterói lidera o índice estatístico fluminense com 118,2 idosos para cada 100 crianças, seguida por Miguel Pereira (110,5), Itaocara (107,5), Cambuci (106,1) e Italva (106,1). 

Rotina ativa e busca por autonomia marcam perfil da nova velhice 

O envelhecimento no país é acompanhado por mudanças no estilo de vida. Aos 87 anos, Vera Busse da Costa Monteiro mora sozinha, mantém uma rotina diária de exercícios físicos e preserva sua autonomia com cautela após sofrer uma queda na rua. Ela destaca que busca se manter informada e interagir com amigos e familiares, encarando o cuidado com a saúde como elemento central para a independência. 

A busca pela manutenção da capacidade funcional também faz parte do cotidiano de Ricardo Lontra, de 69 anos. Aposentado desde os 62 e morador de Nova Friburgo, ele pratica pilates, pedala até duas vezes por semana, caminha de cinco a sete quilômetros e inclui a natação na rotina durante os dias quentes. 

Profissionais de saúde ressaltam que o fortalecimento motor é determinante nessa etapa da vida. A fisioterapeuta Camila Chagas explica que o foco dos atendimentos costuma ser a recuperação de gestos simples, como calçar sapatos, vestir-se ou alcançar objetos em locais altos. Segundo diretrizes do Ministério da Saúde, a prática regular de atividades adaptadas melhora o equilíbrio, reduz o risco de quedas e preserva a capacidade operacional cotidiana. 

Legislação estadual avança no combate ao etarismo e incentivo ao emprego 

Para responder às demandas do setor, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou um conjunto de leis voltadas à proteção legal e à inclusão social dessa parcela da população: 

  • Combate ao Etarismo (Lei 11.307/26): Institui o Programa Estadual de Combate ao Etarismo. Os municípios participantes devem implementar planos de ação em transporte, moradia, emprego, educação e saúde para coibir o preconceito por idade. 
  • Sanções por Discriminação (Lei 11.195/26): Aplica punições administrativas para atitudes discriminatórias, como recusa de acesso a estabelecimentos, exigências descabidas na contratação profissional e descumprimento do atendimento prioritário. 
  • Incentivo à Prática Física (Lei 10.963/25): Cria o Programa Idoso Ativo, voltado à oferta de exercícios físicos adaptados em instituições de longa permanência e clínicas geriátricas. 
  • Inclusão no Mercado (Lei 10.355/24): Estabelece o selo “Empresa Parceira da Terceira Idade” para reconhecer organizações que promovem treinamento, contratação e adequação do ambiente de trabalho para trabalhadores mais velhos. 
  • Diretrizes de Proteção (Lei 6.559/13): Define as bases da Política Estadual do Idoso, prevendo garantias fundamentais de dignidade, autonomia e cidadania. 

About The Author

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *