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As Ruas do Crime: O Esquema dos Carros Clonados que Ameaça Motoristas na Dutra 

A rotina de quem trafega pelas rodovias federais esconde um mercado invisível e altamente lucrativo: o de veículos clonados. Na última segunda-feira (25/05), um flagrante da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no quilômetro 297 da Rodovia Presidente Dutra, em Porto Real, expôs a sofisticação dessas fraudes. Um utilitário de luxo avaliado em mais de R$ 122 mil circulava com placas adulteradas que, ao terem o código QR verificado pelos agentes, apontavam para o registro de uma motocicleta. O caso acende o alerta para motoristas e moradores das cidades às margens da rodovia, que convivem diretamente com os reflexos dessa criminalidade itinerante. 

A investigação aponta que o veículo original havia sido furtado um mês antes, na cidade do Rio de Janeiro. O condutor detido alegou ser trabalhador autônomo, a caminho do polo comercial do Brás, em São Paulo, e afirmou ter comprado o automóvel por R$ 98.000,00 em espécie após ver um anúncio em uma rede social. Essa dinâmica revela uma tática comum das quadrilhas: atrair compradores de boa-fé ou receptadores com preços ligeiramente abaixo do mercado, utilizando plataformas digitais para desovar patrimônio roubado e lavar o dinheiro do crime organizado. 

O impacto dessa atividade criminosa ultrapassa as perdas financeiras individuais e afeta a segurança pública dos municípios cortados pela Dutra. O tráfego de carros clonados e roubados alimenta uma cadeia de delitos locais, como assaltos a comércios e transporte de ilícitos, gerando insegurança para as comunidades do entorno. A resposta das autoridades tem sido o Policiamento Ostensivo Dinâmico, uma estratégia de rondas móveis que busca interceptar esses veículos em circulação antes que eles sejam utilizados em novas ações criminosas ou cruzem as fronteiras estaduais. 

Os dados operacionais da 7ª Delegacia da PRF revelam a persistência desse cenário na região. Em 2024, as equipes conseguiram recuperar 94 veículos no trecho; no ano seguinte, o balanço fechou em 86 apreensões. Em 2026, até o dia 25 de maio, o monitoramento e as abordagens precisas já retiraram 31 veículos irregulares de circulação. Esses números traduzem o esforço contínuo para sufocar a logística das gangues especializadas em adulteração veicular. 

Para o usuário comum das rodovias federais, o cenário exige atenção redobrada, principalmente no momento da compra de seminovos. Especialistas alertam que transações feitas exclusivamente em ambientes virtuais, pagamentos em espécie e vistorias superficiais facilitam a ação dos golpistas. A recomendação de segurança é realizar a checagem rigorosa do histórico do veículo em empresas credenciadas de vistoria antes de fechar qualquer negócio, evitando se tornar mais uma engrenagem no ciclo do roubo de carga e veículos que desafia o policiamento rodoviário. 

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