
O Disfarce de Sempre
O fascista fala o tempo todo em corrupção. Não tem programa, não tem projeto, não tem ideia de país. Tem uma obsessão: apontar o dedo.
Fez isso na Itália em 1922, na Alemanha em 1933, no Brasil em 1964. Faz de novo agora, em 2026, com o mesmo roteiro e as mesmas palavras de ordem. Ele acusa, insulta, agride, como se fosse puro e honesto. Como se estivesse acima da história, acima da lei, acima do povo que diz defender.
O mecanismo é velho e eficaz. Primeiro, elege um inimigo interno. Depois, convence parte da população de que todo o mal vem dali. Por fim, se apresenta como o único capaz de limpar, de salvar, de purificar. O corruptor se fantasia de combatente da corrupção.
Mas o fascista é apenas um criminoso comum, um sociopata que faz carreira na política. Não combate o sistema que critica; ele o utiliza. Não odeia a corrupção; odeia não ser o seu beneficiário.
E quando lhe faltam argumentos – e sempre faltam – ele recorre ao seu último refúgio, ao seu slogan oco, à sua trindade famigerada: “Deus, pátria, família”.
Usa Deus como quem usa um crachá, para dar autoridade divina ao que não passa de ódio humano. Nunca é o Deus da compaixão, do perdão, dos pobres. É sempre o Deus da arma, do castigo, da exclusão.
Invoca a pátria, mas despreza o povo da pátria. Odeia a ciência da pátria, a arte da pátria, a imprensa da pátria, a urna da pátria. Ama uma pátria abstrata, uma bandeira para enrolar-se enquanto vende o chão que pisa.
E fala em família, mas ataca todas as famílias que não cabem no seu molde minúsculo. Defende a família alheia com a mesma violência com que destrói a decência da própria vida pública, cercado de milícias, de rachadinhas, de segredos inconfessáveis.
O fascista de hoje não marcha de camisa negra pelas ruas de Roma. Ele marcha de verde e amarelo no feed, ao vivo, em nome de Deus. Não precisa queimar o Parlamento; basta desacreditar a eleição. Não precisa fechar jornais; basta chamar todo fato de mentira até que a mentira pareça fato.
Por isso é preciso dizer com todas as letras: ele não é diferente. Não é novidade. Não é antissistema. É o mesmo de sempre. O criminoso comum que descobriu que o grito de “corrupção” rende votos e que o nome de Deus rende impunidade.
A história já mostrou onde isso termina. Cabe a nós lembrar onde começa.
About The Author
Ronaldo José
Como jornalista, minha paixão pela informação e comunicação moldou minha trajetória profissional. Dedico-me ardentemente a levar notícias de forma ágil e precisa, sem comprometer a imparcialidade.
Ronaldo José-JORNALISTA:
Registro-0041725/RJ


